Os extintores de incêndio são equipamentos indispensáveis para combater princípios de incêndio e proteger vidas e patrimônios. No entanto, muitas pessoas ainda acreditam que qualquer extintor serve para apagar qualquer tipo de fogo. Essa ideia é um dos erros mais perigosos quando o assunto é segurança.

Cada incêndio possui características específicas e exige um agente extintor adequado. Usar o equipamento errado pode aumentar as chamas, causar explosões ou colocar quem está tentando ajudar em risco.

Neste artigo você vai conhecer quais são os tipos de extintores de incêndio, para que serve cada um, quais classes de fogo eles combatem e como utilizá-los corretamente.

Por que existem diferentes tipos de extintores de incêndio?

Nem todo incêndio acontece da mesma forma. Um fogo causado por madeira possui características completamente diferentes de um incêndio provocado por óleo de cozinha ou por um equipamento elétrico.

Por isso, os extintores utilizam agentes diferentes para interromper o chamado “triângulo do fogo”, formado por:

  • Combustível.
  • Oxigênio.
  • Calor.

Dependendo do agente utilizado, o extintor pode:

  • Resfriar as chamas.
  • Abafar o fogo.
  • Interromper a reação química da combustão.

Escolher o tipo correto faz toda a diferença para controlar rapidamente um princípio de incêndio.

O que são as classes de incêndio?

Antes de conhecer os extintores, é importante entender as classes de incêndio definidas pelas normas técnicas.

Classe A

Envolve materiais sólidos que deixam resíduos após a queima.

Exemplos:

  • Madeira.
  • Papel.
  • Papelão.
  • Borracha.
  • Tecidos.
  • Alguns tipos de plástico.

Esse tipo de incêndio costuma formar brasas.

Classe B

Refere-se aos líquidos inflamáveis e materiais que queimam apenas na superfície.

Exemplos:

  • Gasolina.
  • Álcool.
  • Diesel.
  • Tintas.
  • Solventes.
  • Óleo.

Normalmente não deixam resíduos sólidos.

Classe C

São incêndios envolvendo equipamentos elétricos energizados.

Entre eles:

  • Computadores.
  • Painéis elétricos.
  • Motores.
  • Transformadores.
  • Servidores.
  • Quadros de energia.

Após desligar a energia, o incêndio deixa de ser Classe C e passa a ser classificado conforme o material em combustão.

Classe D

Envolve metais combustíveis.

Exemplos:

  • Magnésio.
  • Titânio.
  • Sódio.
  • Potássio.
  • Alumínio em pó.

São incêndios menos comuns, porém extremamente perigosos.

Classe K

Mais comum em cozinhas industriais e restaurantes.

Ocorre em:

  • Gorduras animais.
  • Óleos vegetais.
  • Fritadeiras industriais.

Esse tipo de incêndio exige equipamentos específicos.

Quais são os principais tipos de extintores de incêndio?

Atualmente existem diversos modelos homologados no Brasil, cada um desenvolvido para combater determinados tipos de incêndio.

1. Extintor de água pressurizada (AP)

O extintor de água é um dos mais conhecidos.

Seu funcionamento consiste em lançar água sob pressão para reduzir rapidamente a temperatura do material em combustão.

Indicado para:

  • Classe A.

Ideal para apagar:

  • Madeira.
  • Papel.
  • Papelão.
  • Tecidos.

Nunca utilize em:

  • Equipamentos elétricos.
  • Líquidos inflamáveis.
  • Óleos.
  • Combustíveis.

A água conduz eletricidade e pode provocar choques elétricos.

2. Extintor de pó químico seco (PQS)

O extintor de pó químico seco está entre os mais utilizados em empresas, veículos e condomínios.

Ele funciona interrompendo a reação química da combustão.

Existem versões diferentes.

PQS BC

Combate:

  • Classe B.
  • Classe C.

Muito utilizado em automóveis.

PQS ABC

É considerado um dos modelos mais versáteis.

Combate:

  • Classe A.
  • Classe B.
  • Classe C.

Hoje é um dos equipamentos mais encontrados em edifícios comerciais.

3. Extintor de dióxido de carbono (CO₂)

O extintor de CO₂ utiliza gás carbônico altamente comprimido.

Ao ser liberado, ele reduz o oxigênio ao redor das chamas e ajuda a extinguir o fogo sem deixar resíduos.

Indicado para:

  • Classe B.
  • Classe C.

Muito utilizado em:

  • Data centers.
  • Laboratórios.
  • Escritórios.
  • Salas de servidores.
  • Hospitais.

Vantagens

  • Não molha equipamentos.
  • Não deixa resíduos.
  • Não danifica computadores.
  • Excelente para aparelhos eletrônicos.

Cuidados

A saída do cilindro fica extremamente fria durante o uso.

Nunca segure diretamente o difusor metálico para evitar queimaduras por frio intenso.

4. Extintor de espuma mecânica

Esse equipamento cria uma camada de espuma sobre o combustível.

A espuma impede o contato com o oxigênio, abafando o incêndio.

Indicado para:

  • Classe A.
  • Classe B.

Muito utilizado em:

  • Indústrias.
  • Postos de combustíveis.
  • Aeroportos.
  • Galpões.

Não deve ser utilizado em equipamentos energizados.

5. Extintor para metais combustíveis (Classe D)

É um equipamento específico para incêndios envolvendo metais.

Seu agente extintor varia conforme o metal que está queimando.

Pode utilizar compostos especiais capazes de absorver calor sem provocar reações químicas perigosas.

É comum em:

  • Indústrias metalúrgicas.
  • Laboratórios.
  • Indústrias químicas.

6. Extintor Classe K

Foi desenvolvido especialmente para incêndios em cozinhas profissionais.

Ele utiliza agentes químicos que reagem com a gordura quente, formando uma camada protetora que impede a reignição.

É indicado para:

  • Restaurantes.
  • Cozinhas industriais.
  • Hotéis.
  • Lanchonetes.
  • Redes de fast-food.

Jamais utilize água para apagar óleo em chamas, pois isso pode provocar uma explosão de vapor e espalhar o fogo rapidamente.

Como identificar o tipo de extintor?

Todo extintor possui informações obrigatórias no próprio cilindro.

Observe:

  • Cor da identificação.
  • Tipo de agente extintor.
  • Classe de incêndio indicada.
  • Capacidade.
  • Pressão.
  • Data de validade.
  • Data da última inspeção.

Além disso, muitos possuem pictogramas que mostram claramente quais tipos de incêndio podem combater.

Qual é o melhor tipo de extintor?

Não existe um único modelo considerado o melhor.

Tudo depende do ambiente onde ele será instalado.

Veja alguns exemplos:

Local Extintor recomendado
Escritórios CO₂ e PQS ABC
Residências PQS ABC
Condomínios Água + PQS ABC
Cozinhas industriais Classe K
Postos de combustível Espuma mecânica e PQS
Indústrias Conforme análise de risco
Laboratórios CO₂ e Classe D, quando necessário

Uma avaliação técnica é fundamental para definir a quantidade e os tipos exigidos pelas normas de segurança.

Como utilizar corretamente um extintor?

Embora existam diferenças entre os modelos, a sequência básica costuma ser semelhante.

  1. Retire o lacre de segurança.
  2. Puxe o pino de travamento.
  3. Direcione o bico para a base das chamas.
  4. Aperte o gatilho.
  5. Faça movimentos laterais até controlar o fogo.

Nunca direcione o jato para o topo das chamas, pois isso reduz bastante a eficiência.

Também é importante manter uma distância segura, geralmente entre 2 e 5 metros, dependendo do modelo.

Quais normas regulamentam os extintores no Brasil?

A fabricação, certificação e utilização dos extintores seguem diversas normas técnicas e legislações.

As principais são:

  • ABNT NBR 12693, que trata dos sistemas de proteção por extintores de incêndio.
  • Normas do Corpo de Bombeiros de cada estado.
  • Regulamentos do Inmetro para certificação dos equipamentos.
  • Normas Regulamentadoras (NRs), especialmente a NR-23, que trata da proteção contra incêndios nos ambientes de trabalho.

Essas exigências definem onde os extintores devem ser instalados, quais modelos utilizar, a distância máxima até o equipamento e a frequência das inspeções.

Quais cuidados aumentam a eficiência dos extintores?

Ter um extintor instalado não é suficiente. Ele precisa estar em perfeitas condições de uso.

Algumas recomendações importantes incluem:

  • Fazer inspeções periódicas.
  • Realizar manutenção conforme a legislação.
  • Verificar se o lacre está intacto.
  • Conferir a pressão do equipamento quando houver manômetro.
  • Nunca obstruir o acesso ao extintor.
  • Capacitar colaboradores para o uso correto.
  • Substituir equipamentos vencidos ou danificados.

Também é essencial manter a sinalização visível e garantir que o extintor esteja instalado na altura prevista pelas normas.

Erros comuns ao usar um extintor de incêndio

Algumas atitudes podem comprometer totalmente o combate ao fogo.

Os erros mais frequentes são:

  • Utilizar água em equipamentos elétricos energizados.
  • Jogar água sobre óleo em chamas.
  • Escolher um extintor incompatível com a classe do incêndio.
  • Direcionar o jato para o topo das chamas.
  • Tentar apagar um incêndio já fora de controle.
  • Usar equipamentos com manutenção vencida.

Caso o incêndio esteja se espalhando rapidamente, o mais importante é abandonar o local com segurança, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e seguir o plano de evacuação da edificação.

Conhecer os tipos de extintores de incêndio pode fazer toda a diferença em uma situação de emergência. Além de proteger patrimônios, a escolha correta do equipamento ajuda a preservar vidas e evita que um pequeno foco de incêndio se transforme em uma tragédia.